O Carnaval dos Animais
Aqui estou eu, pela primeira vez a postar aqui. A decência de dizer algo e não abandonar a Stradivaria se fez mais forte hoje. Com o perdão dos erros de ortografia, afinal não sou lá das mais treinadas com a escrita. Porém venho com propósitos nobres de apresentar(aos que não conhecem) e exultar (aos que conhecem). O carnaval dos animais, de Camille Saint-Saëns. Compositor francês do século XIX.
Tive o prazer de ouvir o Carnaval em concerto 2 vezes, ainda descobrir que parte dele está em animação no filme “Fantasia 2000″, sem contar as inúmeras vezes que eu mesma ouço no computador. Nada se compara ao concerto ao vivo. Ao menos para mim a intensidade dos sons ao vivo, faz com que o ouvinte se sinta mesmo numa selva musical.
A peça tem 14 movimentos que se seguem:
Introdução e marcha real do leão.A peça se inicia com longos trinados, pianos arpejando, até o inicio das cordas que imita os rugidos do leão. Logo vêm as galinhas e galos. Não seria capaz de descrevê-lo afinal a única coisa que poderia dizer seria: Galinhas. Galinhas descritas com os violinos, violas e clarinetes. Depois o Hemíono, que tive que pesquisar para saber o que era. Asnos(Tibetanos, que por sinal, são animais muito rápidos), correndo desesperadamente como nas notas dos pianos que se lançam escalas extremamente velozes. O que contrasta com a tartaruga, onde o tema do “Can Can”da obra “Orfeu no Submundo” de Jacques Offenbach, é executado nas cordas, num andamento lento acompanhadas pelos pianos. Seguindo no tom grave, temos o elefante. Solo de contrabaixo acompanhado novamente pelo piano. Imitando o passo lento e pesado do animal. Os cangurus, pulando ao som do piano por poucos compassos e parando.
Aquarius, uma das minhas partes preferidas da peça. Com a percursão(celestas), flautas e os pianos. Cria o ambiente aquático perfeito. É quase que mágico. Lembro-me perfeitamente de sentir um calafrio percorrer-me ao ouvi-la no concerto. Após esse momento fantástico segue-se o próximo movimento dedicado aos burros e jumentos, que zurram por pouco tempo nas cordas dando logo lugar ao Cuco. Este, insistente no clarinete e mais um acompanhado pelo piano.
Viveiro, a flauta animada descreve os pássaros cantando reunidos, junto com as cordas e os pianos. Que em seguida dá lugar a’Os Pianistas, concordei plenamente com Saint-Saëns nessa, pianistas são feras mesmo. Das mais barulhentas. Lembrou-me dos tempos em que eu praticava as escalas insuportáveis de estudar. Chegam nos tons dissonantes até cessar o estudo.
Ossos batendo, é o que a percursão de’Os Fósseis transmite. Com partes do tema da Dança Macabra, também de Saint-Saëns entre outros temas. Quase chegando ao fim, temos o Cisne solo de cello,onde o cisne nada, cruzando as águas sozinho e silente. Enfim, o Final. Repetindo-se os temas da peça toda. O tal que toca no filme da Disney com os flamingos todos alegres e etc.
Essa peça me chama muito a atenção por ter dois pianos envolvidos. Não apenas um como é comum na orquestra. “Pianos não tocam juntos não por serem completos, mas sim pela individualidade dos pianistas.” Aprendi isso com minha amiga pianista, Jéssica. Que por acaso foi para São Paulo nesse final de semana, para tocar “O cisne” num concerto com um outro amigo meu que toca o cello.
Indico a todos por não ser uma peça pesada de se ouvir. Mesmo com seus 22:10 minutos, pode ser encontrada com os movimentos separados. Música erudita não mata nem engorda. Além do que não custa nada ouvir.
Aqui o cisne. Porque é a parte mais perfeita, e por que é o Yo-Yo Ma tocando. ♥

Lindo.
Aquarius é mesmo quase fantasmagórica, etérea. Todos os animais ficaram bem caracterizados (eu tive acessos de riso com os jumentos e com os pianistas).
Sim, apesar do seu tamanho, é bem leve, engraçada, agradável de ouvir.
Eu gosto muito do Carnaval dos Animais, a primeira vez que ouvi foi em Fantasia também, em concerto só vi pela televisão, nunca tive a chance de assistir ao vivo ):